quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

MY WIDOWED AUNT

By Arjun Singh Bhati (Jaisalmer, India)

This is the story of my aunt, widowed after 18 years of marriage. And the even sadder story of why, in India, widows are ostracised by their society who believe they are bad luck.
“Are you son of Mr. Laxman Singh?” the doctor asked me. “No, he has no children, I am his wife’s nephew,” I replied. “Then call someone who is a close relation,” the doctor said. I told the doctor all his relatives lived in Jaisalmer, but my aunt is here [in Jodhpur] if he wants to talk to her. The Doctor thought for a while and said: “I am sorry to say both the kidneys of Mr. Laxman Singh have failed and it is better if you take him back to home because there is no more chance.”
I was shocked but with great courage asked the doctor again, what he meant by “no more chance.’ He said Mr. Singh was in his last stage of life and had maybe four or five days more.
I came out of the doctor’s chamber very sad and worried. I went to the general ward where my aunt was sitting near my uncle’s bed. She had not slept for couple of nights and was very tired. She asked me what the doctor told me. I had no words, so I said everything was fine.
When I came out of the hospital I called my father and told him what the doctor told me. He said nothing for a while and then said, “Boy, take care of them till I reach Jodhpur.”
My father arrived the next morning and met with the doctor, who told him there was nothing more to be done. But we told my aunt her husband was doing quite well and that we were going back to Jaisalmer. Tears rolled down her face, she understood this meant she was going to lose her beloved soon.
I still feel guilty about leaving my aunt there alone with my sick uncle. Despite many attempts, they had not been able to have children of their own, and so had treated my sister and I as their own.
A week later we received the news of my uncle’s death. I met my aunt a few days later, she embraced me and wept bitterly. For the next six months she did not leave her house. When she did emerge, clad in black, as dictated by the customs of our society, we took her into our home.
What is the condition of the widows in our society? Widows suffer a very miserable life here in India. She is not allowed to remarry. She is not allowed to wear colourful clothes or jewelry. She is not allowed to attend weddings or festivals. She is not supposed to participate in certain ceremonies like tying the thread during Raksha Bandhan. She is not even allowed to listen to music. If she steps in the way of someone it is a bad omen.
Why? The answer from our social system is she must be punished. Had the person not married this lady, he would have not died. It is believed the widow’s bad luck takes a son from his parents, and a father from his children. Like a compass needle that points north, man’s accusing finger always finds a woman guilty in this male-dominated society.
My aunt suffered the life of a widow for a year. My family and I were very sad for her. Then we all took a challenging decision. We convinced her to find work somewhere. Finally after many social objections she joined a school as an attendant. She is very busy there with the children and has been ordered to wear colourful clothes by the school’s administration. She passes her time well with the students and staff. She is happy now.
It took a lot for our family to go against the traditions of our society. And I think we were able to make that decision because we have been lucky enough to receive a good education. Truly an education can make change: it can change better than anything else.


MINHA TIA VIÚVA

Por Arjun Singh Bhati (Jaisalmer, India)

Esta é a história de minha tia, que ficou viúva depois de 18 anos de casamento. E até a mais triste história do porquê, na Índia, as viúvas são deixadas no ostracismo pela sociedade a que pertencem e que acredita que elas trazem má sorte.
“Você é filho do Sr. Laxman Singh?”, o doutor me perguntou. “Não, ele não tem filhos, eu sou o sobrinho de sua esposa”, respondi. “Então chame alguém que tenha uma relação mais próxima com ele” disse o médico. Eu disse a ele que todos os parentes dele viviam em  Jaisalmer, mas minha tia estava aqui [em Jodhpur] caso ele quisesse falar com ela. O médico pensou por um momento e disse:  “Lamento dizer que os rins do Sr. Laxman Singh estão gravemente comprometidos e seria melhor que você o levasse para casa porque não há mais chance.”
Fiquei chocado mas, com grande coragem, perguntei ao médico novamente o que ele queria dizer com “não há mais chance”. Ele disse que o Sr. Singh estava em seu último período de vida e que talvez tivesse mais uns quatro ou cinco dias de vida.
Eu saí do consultório muito triste e preocupado. Fui à enfermaria geral onde minha tia estava sentada ao lado da cama do meu tio. Ela não tinha dormido por pelo menos duas noites e estava muito cansada. Ela me perguntou o que o doutor havia me dito. Eu não tinha palavras, então disse que tudo estava indo bem.
Quando saí do hospital, liguei para o meu pai e disse a ele o que o doutor havia me dito. Ele ficou em silêncio por uns instantes, então disse: “Filho, tome conta deles até eu chegar em Jodhpur.”
Meu pai chegou na manhã seguinte e se encontrou com o médico, o qual disse a ele que não havia mais nada a ser feito.Mas dissemos para a minha tia que o seu  marido estava indo relativamente bem e que estávamos voltando para Jaisalmer. As lágrimas rolaram no seu rosto e ela entendeu que isto significava que ela iria perder seu amado em breve.
Eu ainda me sinto culpado por ter deixado minha tia lá, sozinha, com meu tio doente. Apesar das várias tentativas, eles não conseguiram ter os próprios filhos. e tinham tratado minha irmã e eu como se fôssemos seus  filhos.
Uma semana depois, nós recebemos a notícia da morte do meu tio. Eu encontrei minha tia poucos dias depois, ela me abraçou e chorou amargurada. Nos seis meses seguintes, ela permaneceu em sua casa. Quando ela saiu, vestida de preto, como determinam os costumes da nossa sociedade, ela veio nos visitar.
Qual é a condição das viúvas em nossa sociedade? As viúvas levam uma vida muito miserável aqui na Índia. A ela não é permitido casar novamente. A ela não é permitido usar roupas coloridas ou joias. A ela não é permitido assistir a casamentos ou festivais. A ela não é permitido participar de certas cerimônias como amarrar o fio durante o “Raksha Bandhan”.  A ela não é permitido, nem mesmo, ouvir música.She is not even allowed to listen to music. Se ela atravessa o caminho de alguém, isso é um mau presságio.
Por quê? A resposta do nosso sistema social é que ela deve ser punida. Se a pessoa não tivesse casado com essa senhora, ela não teria morrido. A má sorte da viúva vem dos seus pais, e um pai do seus filhos. Como a agulha de uma bússola que aponta o Norte, o dedo acusador do homem sempre encontra uma mulher culpada nesta sociedade dominada por homens.
Minha tia sofreu a vida de uma viúva por um ano. Minha família e eu ficamos muito tristes por ela. Então todos nós tomamos uma decisão desafiadora. Nós a convencemos a encontrar trabalho em algum lugar. Finalmente, após muitas objeções sociais, ela foi trabalhar em uma escola como assistente. Ela está muito ocupada com as crianças e foi obrigada a usar roupas coloridas pela administração da escola. Ela passa seu tempo muito bem com os estudantes e com a equipe [da escola]. Ela está  feliz  agora.
Foi difícil para a nossa família ir contra as tradições da nossa sociedade. E eu penso que  fomos hábeis em tomar aquela decisão porque tivemos a sorte de receber uma boa educação. Sinceramente, uma boa educação pode promover mudanças: ela pode mudar as coisas para melhor.

(Traduzido para o português por Paccelli José Maracci Zahler)

BARULHOS

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


No barulho das ruas

algumas horas

de paz e recolhimento



não há música no ar

nem palavra a ser dita



No barulho das casas

alguns minutos

de repouso e acolhimento



não há discurso

nem a fala do ator



no barulho em geral

instante em que o silêncio

aprofunda o gosto



não há como rasgar a folha


nem recitar a prece.

FOLHAS AO VENTO, CORAÇÕES PARTIDOS

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

  (Para Vanessa Martins DA Maia)

Folhas ao vento
Amoras vermelhas
Morangos maduros
***
Airosas flores no jardim
Um alento
Um renascer
Algo novo por fim
***
Agora é primavera
No meu coração
Um amor que chegou
É saudade que findou
Esperanças de algo novo
Enfim
***
Folhas secas ao vento
Amoras vermelhas
Morangos maduros
Flores sidéreas
No hialino vergel
***
Uma tragédia
Uma despedida
Laços desfeitos
Um amor que se foi
Dois corações
Que se se partiram
Em mil nanospedaços

PASSADO

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


Escavamos destroços

retiramos camadas

terras e terras

sobre séculos



na busca das respostas

que não existem: (pois)

apenas crescemos

pouco a pouco nas gerações

que nos sucederam



assim

como música e vento

e árvores



escavamos trajetos

felizes em nos descobrirmos

menores e meninos.


MADONNA ISHTAR EM CHAMAS

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Fez-me
Um sedicioso convite
De irmanados
Ardemos em chamas
Para ascender ao cosmo
Em nanossegundos
***
Fez-me
Um titânico convite
Para juntos
Trespassar
A realidade liquida
Em um estante
***
Fez-me
Um vulcânico convite
De penetrarmos
No labirinto quimérico
Do prazer absoluto
***
Fez-me um convite:
- Vem consorte meu! Dá a tua mão
Vem sonho meu
Percamo-nos
Em venal pecado
Para todo o sempre

MEDITAÇÃO I

Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)

Creio ter me esquecido de Ti.
Tentei viver a vida do meu modo,
Fazer as coisas do meu jeito
E fracassei.

Hoje, volto meus olhos para Ti
Em busca de socorro.

Quase perco a esperança...

Tanto trabalho, sonhos,
Planos, anos,
Tudo desperdiçado.

Tenho me esforçado
Em fazer o melhor...

De que adianta tudo isso

Longe de Ti?